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Izzy Gordon é voz, simpatia, bom gosto e muito (tudo!) mais
Setembro 28, 2007, 4:46 pm
Filed under: Cultura

Izzy Gordon: Sobrinha e paulistana sangue bom

Izzy Gordon

O nome pode parecer estrangeiro, mas a moça é brasileira. Nascida em São Paulo, Izzy Gordon tinha tudo para ser uma cantora de sucesso e reconhecida pelo grande público, mas optou por outro caminho. Filha do músico Dave Gordon e de Denise Duran, irmã da consagrada cantora Dolores Duran, sempre teve muitos convites para gravar disco, mas recusou todos. “Batí o pé com o que queria gravar e não aceitei fazer nada diferente”, diz a cantora. Após quase 20 anos de carreira, Izzy lançou no ano passado seu primeiro CD, entitulado Aos Mestres Com Carinho – Homenagem a Dolores Duran.
Enquanto se preparava para um show na cidade de Mogi das Cruzes, Izzy concedeu uma simpática entrevista por telefone a Carol Rodrigues. Alguns dias depois, Paula de Paula conferiu o show da cantora no Sesc Vila Mariana, em São Paulo.

Como foi crescer no meio de músicos?
Foi ótimo. Eu acordava a noite com meu pai voltando dos shows acompanhado de músicos que vinham em casa para tocar piano e cantar. Quando ouvia um barulhinho, falava “eba! Tá chegando alguém” e ía espiar atrás da porta. Sempre tive aulas de piano e ouvia de tudo, jazz tradicional, música popular brasileira… mas nunca pensei em ser música. Me casei muito nova e após o nascimento do meu segundo filho “deu um click”: Acho que vou cantar.

A família ajudou na sua carreira?
Ajuda pela convivência. Quando comecei a me apresentar, aproveitava os atrasos do meu pai quando ele se apresentava e subia no palco pra cantar. Mas ele sempre me falava “não, Izzy, não vai lá cantar”, mas eu, teimosa, acabava indo. Até quando estava no chuveiro cantando ouvia um grito vindo de alguém da família “tá fora do tom!” – diz, mudando a voz. Isso me ajudou muito.

E quais seriam os seus conselhos para alguém que quer começar agora?
Acho importante não fazer aula de canto. Tira a individualidade da voz. Eu só fiz sessões de fonoaudiologia. Fora isso, tem que escutar muito, aprender muito, principalmente com a velha guarda, a grande escola.

Ouvir quem, por exemplo?
Gosto muito da Ella Fitzgerald, é essencial para quem quer cantar. Ouço bastante a Jarah Jane, Erika Badul, e várias outras. As brasileiras Mariana Aydar, Céu, até a Marisa Monte…

A Céu e a Mariana representam uma nova geração de cantoras e também são de família de músicos. A Mariana é filha do Mário Manga e da produtora Bia Aydar. A Céu, do músico e produtor Edgar Poças. Você acha que isso influencia, além do aprendizado, do background musical?
Com certeza. Pra quem não está envolvido é um pouco difícil…

E, pra você, de onde vem o reconhecimento que elas tiveram? Vem daí?
Um pouco de tudo. A Céu conseguiu fazer algo muito interessante, ao mesmo tempo que você nota as influências no estilo dela, sabe que ela conhece e domina muita coisa, você sente um estilo único que ela conseguiu criar, uma coisa só dela. A maioria das pessoas acham que bons músicos são só voz, ou só letra. Mas não é, é um conjunto de tudo… E não adianta, tem que conhecer muita coisa pra fazer música.

E você, o que espera para os próximos anos da sua carreira?
Eu ainda quero fazer muita coisa, to só começando! (risos) Como meu primeiro CD foi uma homenagem a minha tia, agora quero dar ênfase nas minhas músicas, o que eu vou gravar… Quero resgatar o jazz tradicional, misturar com elementos modernos e também com outros ritmos. A música é como a moda, você pega as tendências e coloca com algo clássico, essa coisa de não perder a escola, olhar pra trás também é importante.

No ano passado, quando o U2 esteve aqui, você fez um show para eles. Como foi essa experiência?
Foi ótimo. Muito legal. Nós fomos convidados para mostrar a música brasileira a eles, então, quando eles abriram a porta do Hyatt (hotel em que estavam hospedados), vejo que trouxeram uma surpresa. Nada mais nada menos que Quincy Jones, e foi muito legal porque eu sou muito fã dele e bem nessa hora nós estávamos tocando uma música dele. Nós éramos o presente e ele acabou me trazendo um presente. Foi inesquecível. Todos foram muito simpáticos e vieram direto cumprimentar a banda e a mim. Respeito muito isso, costumo dizer que em minha lista de prioridades no show estão primeiro a banda, depois o público, e só depois, eu. Até brindamos com champagne depois. Foi bom estar ao lado de um músico tão famoso, humano e simpático como o Bono (Vox, do U2).

E o show de hoje, quais são as expectativas?
O público aqui em Mogi é muito bom. Tocamos aqui ontem e a resposta foi muito boa. Show tem que funcionar assim, é uma troca, né? A gente faz o melhor que pode e eles ajudam! (risos)

Com tanta simpatia a gente ajuda mesmo, Izzy, pode deixar!

Izzy Gordon

O show da paulistana Izzy Gordon na praça de eventos do Sesc Vila Mariana reuniu a linda voz da cantora com o repertório consagrado de Dolores Duran, tia de Izzy. No meio da praça de eventos, transeuntes que almoçavam no restaurante, jovens que saíram da escola, crianças que participam de projetos do Sesc e senhoras que praticam esportes fizeram do público do show uma mistura diferente.

Ela cantou somente músicas do seu último CD, Aos Mestres Com Carinho – Homenagem a Dolores Duran, que reúne músicas consagradas da compositora como A noite do meu bem e Estrada do Sol, que o público cantou junto, e menos conhecidas como Castigo. Antes de cantar o sucesso de Richard Rodgers, My Funny Valentine, a cantora salientou que fez um arranjo bem diferente daquele, super elogiado, feito pela tia anos atrás.

A primeira convidada foi anunciada como alguém que “representa tudo para mim”: a mãe de Izzy e irmã da homenageada, Denise Duran, que levanta da platéia e prova que a filha tem de quem herdar a bela voz. Para fechar com chave de ouro, a cantora chamou o produtor Eduardo Silva, mais conhecido como Edu Negão, para um Free Style (improvisação de rap com fundo musical), que marcou mais um ponto alto do show. Falando de futebol, Dolores Duran, música e venda de CD, o produtor conseguiu atrair a atenção de todos com a agilidade e coerência da sua performance.

A cantora finalizou a apresentação agradecendo com a frase “Eu sou muito privilegiada, nasci em uma família de artistas, mas dependo muito de uma banda maravilhosa como essa e principalmente de vocês, meu público”. Aplaudida de pé e aceitando o pedido de bis, a cantora repetiu o sucesso que ouvia na voz da mãe quando criança, A Banca do Distinto, e mais uma vez foi muito aplaudida.

Perguntada sobre a dificuldade de se fazer um show em lugar aberto, grande e cheio de pessoas passando, Izzy afirma que pensou nisso quando foi convidada, mas vê que esse é um jeito bom de fazer chegar a cultura de um modo amplo e à todos. Ao comentar as possíveis comparações com a tia de sucesso, a cantora disse que também ficou apreensiva no começo, mas que essa apreensão é deixada de lado quando sobe no palco, canta e percebe a importância da divulgação de uma artista tão importante quanto Dolores.

Paula de Paula e Carol Rodrigues

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1 Comentário so far
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É muito bom ver matérias deste tipo, prestigiando a música nacional e uma ótima artista ainda desconhecida pelo público. Ficou muito interessante. Parabéns!

Comentário por Elisa




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