Nbjolpuc’s Weblog


Entre a diversão e a violência, pichação conta histórias da madrugada Paulista
Agosto 27, 2007, 8:17 pm
Filed under: Babilônia

 

(Pixação “Os Cururus”, na zona leste) 

 

 

“Eu picho, você pinta. Quem lucra é só a casa de tinta”, já dizia um ditado sobre a pichação. E com toda razão. Quem anda pela ruas de São Paulo certamente já percebeu que a “arte” trata-se de uma manifestação efêmera e gratuita.

Entretanto, o que a maioria dessas pessoas não sabe é que a pichação de São Paulo tem suas próprias diretrizes, regras e uma história que, sem querer, conta um pouco da madrugada da cidade.  Nesta história, que mistura diversão e violência, vários nomes se consagraram, deixando seus rastros até hoje pelos muros, janelas e prédios da capital paulista.

É praticamente impossível, e talvez até irrelevante, apontar as origens da pichação em São Paulo. Pode-se afirmar, no entanto, que “pixos” como DI e OLODUM, inovaram esta “arte”.

No início dos anos 90, a dupla invadiu diversos prédios e até a casa dos Matarazzo, gravando seu nome na história do “pixo”. Para quem não sabe, os prédio são de fato invadidos e as pichações feitas sem nenhum tipo de segurança – geralmente uma pessoa picha, enquanto outra segura seu corpo que encontra-se quase inteiramente debruçado no vão de dezenas de metros sobre o chão.

Curioso é que, como na arte, Di só veio ganhar verdadeiro reconhecimento no meio quando acabou assassinado na porta de seu colégio, em Osasco. Sua morte, contudo, não teve relação direta com a pichação. 

Brigas entre os pichadores     

Mas se DI não morreu por causa da pichação, uma briga que mudou a história do movimento levou sim algumas pessoas a perderem a vida por causa do “pixo”. Já fazia parte da cultura da pichação organizar-se em grupos (sendo que cada pichador assina seu nome ao lado de seu grupo) quando alguns grupos começaram a se organizar em “grifes” – que são a união de vários grupos .

Uma dessas grifes chama-se (existe até hoje) “Os+Imundos” (Os+Im). Criada por grupos como “A Firma”, “Exorcity”, “Lin2” e “Energumenos”, a grife, por meio de divergências, acabou por criar um grupo dissidente, chamado Os Registrados no Código Penal (Os*Rgs) – que também existe até hoje.

Acirrada por “atropelamentos” (quando alguém picha em cima do outro), que contou com a adesão de grupos como “Procurados” e “Caroline.Caroline” (ambos Os*Rgs), a briga levou ao assassinato de membros de ambas as facções, como o “Telo” do grupo “A Firma” e “Lin2”.

Tiros nos pontos de encontro dos pichadores, (como o centro cultural São Paulo, próximo ao Metrô Vergueiro) foram cenas que se repetiram e continuam se repetindo por causa dessa briga.  

(Bacal chegou a ser preso no Japão por causa da pichação)

“Pichar é arte, ser preso faz parte”   

Mesmo sem estar envolvido em uma briga com pichadores, a “arte” certamente traz muitos riscos a quem a pratica. O pichador “Chacal” do grupo “Scorpions” (SPS) exemplifica: “Estava fazendo (pichando) uma varanda na Lapa quando comecei a ouvir uns barulhos vindo de dentro da casa. Botei o pé para fora para começar a descer, já que estava a uns 5, 6 metros de altura, quando o morador abre a janela e começa a atirar. Pulei de lá na hora e caí todo de mal-jeito, quebrando meu braço. Estava com os irmãos Gina e Andrade (que picham Humanos e Fumados, respectivamente) eles me ajudaram a pegar um ônibus sentido o hospital de Perus e foram pichar mais”, relata ele.

O pichador “Bip” do “Psicose” não teve a mesma sorte. Debruçado sobre a janela de um apartamento na zona sul, não teve tempo de escapar dos tiros do morador e acabou morrendo ali mesmo. “O problema é que acham que estamos roubando, aí atiram”, completa “Chacal”. 

Sofrer violência polícia também é comum entre os pichadores. “Pichar é arte, ser preso faz parte. O mais normal é eles mandarem um pichar o outro. Mas também é comum agredirem os pichadores de todas as formas. Eles sabem que se levar para a delegacia vão acabar nos liberando”, afirma o pichador Lucas, do grupo “Afetados Pelo Sistema” (APS).

O vicio pela pichação chega a extremos, ao ponto de pichadores como o “Bacal” do grupo “Tumulos” ter sido preso no Japão por causa da pichação. “Achei estranho, não me bateram, e me colocaram numa cadeia que era quase um hotel. Mas acho que se fosse assim no Brasil, menos gente iria pichar”, revelou.

 “Chacal” dá ainda instruções para quem não quer ter sua casa pichada. “Não adianta botar plaquinha pedindo para não pichar e achar que isso vai adiantar alguma coisa. O pichador só não picha um muro branquinho, já que igual aos proprietários, não queremos gastar nossa tinta a toa. O bom mesmo é muro de pedra, ou de tijolinho que não saí de jeito nenhum”, completa.       

(Festa da Grife “Turma da janela”, no Tucuruvi) 

 

 

Thomas Monteiro 


1 Comentário so far
Deixe um comentário

pichação e d+ meus amados irmão por isso eu picho

Comentar por danilo




Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s



%d bloggers like this: