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Artistas da periferia de São Paulo lançam sua própria Semana de Arte Moderna e seu manifesto
Setembro 15, 2007, 7:10 pm
Filed under: Babilônia

Os organizadores escrevem um capítulo inédito, nele, os novos antropófagos tratam pouco de estética e muito de política e comportamento.

Oitenta e cinco anos depois do marco do movimento modernista, a Semana de Arte Moderna de 1922, Sérigo Vaz, poeta da periferia de São Paulo, organiza a Semana de Arte Moderna da Periferia. A força da Semana de 2007, que acontece de 4 a 11 de novembro, vem da primeira geração de escritores da periferia. Pela primeira vez, o Brasil tem um movimento literário nascido nas margens da cidade de São Paulo.

Vaz vive nos arredores de Taboão da Serra, na Grande São Paulo. Deixou uma carreira de auxiliar de escritório para ser poeta no Brasil, vendeu 5 mil livros de poesia sem editora e sem livraria, de mão em mão. Em 2001, ele criou a Cooperativa Cultural da Periferia (Cooperifa) ao ocupar uma fábrica abandonada para fazer um evento de arte.

O sarau da Cooperifa passou de bar em bar até achar seu lugar no boteco do Zé Batidão, na zona sul de São Paulo. Toda quarta-feira, três centenas de cidadãos periféricos ali desembarcam depois de um dia de trabalho duro para fazer e ouvir poesia. A Semana de 2007 começou a nascer nessa esquina.

O primeiro ato da Semana será uma caminhada dos artistas pela periferia. Nada irá acontecer no centro. “Quem quiser conhecer o que se passa nas bordas de São Paulo terá que inverter o tráfego”, diz Vaz.  Os grupos Manicômicos (teatro), Arte na Periferia (cinema), Espírito de Zumbi e Umoja (dança) são alguns dos chamados “focos de resistência” que tentam impor sua estética em ruas onde antes só corria esgoto.

Os novos antropófagos

“Aqui o tráfico não é nem de maconha, nem de cocaína. Nós traficamos livros”

Alessandro Buzzo, residente do Itaim Paulista, declara-se “Suburbano Convicto, escritor da Periferia”. Começou a escrever por indignação e hoje, aos 35 anos, já tem quatro livros publicados. O último deles um romance, Guerreira, que editou na base de prestação, pagou uma parte com feijão, arroz, macarrão e azeite. Há alguns meses vive de arte, R$ 1500 por mês. Criou uma biblioteca num bloco carnavalesco. Comanda o Favela Toma Conta, evento anual de hip-hop. Duas vezes por mês faz o Cine Favela, levando filmes brasileiros às periferias. Dá oficinas de escrita para os garotos da Febem.

“O Brasil só vai melhorar quando o povo começar a roubar livros em vez de armas, drogas e dinheiro”

Ademiro Alvez, mais conhecido como Sacolinha, diz que se não fossem os livros ele estaria a sete palmos do chão. Filho de pai sumido e mãe feirante, trabalhou dos 9 aos 21 anos como cobrador de lotação. Terminou o ensino médio “semi-analfabeto”, sem entender o que lia. Aos 18 anos ele começou a ler, roubando livros da própria família, ampliou suas atividades por livrarias, bienais e conferências. Aos 22 fez uma rifa para publicar seu primeiro romance. “Salvo” pela literatura, Sacolinha criou uma ONG para divulgar os novos autores, organizou trocas literárias para abastecer bibliotecas, criou sarau de poesias e entrou na faculdade de Letras. Desde 2005 é coordenador de literatura da Prefeitura de Suzano, na Grande São Paulo.

Martha Furtado Kanagusko


1 Comentário so far
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Olá…gostei das informações e tenho interesse em conhecer melhor o trabalho da Cooperifa. Como posso fazê-lo? Tem contato com eles?
Obrigada
Aguardo retorno

Comentar por Carol




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