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Série Imigrantes: Japoneses
Outubro 6, 2007, 3:26 pm
Filed under: Babilônia

Por Marcus Vinicius Pilão 

 

A imigração japonesa para o Brasil tem seu primeiro registro em 1908, quando o navio Kasato Maru aportou em Santos. Desde então a chegada de japoneses ao Brasil nunca mais parou. Claro que em certos momentos (como durante a segunda guerra mundial) esse fluxo foi interrompido, mas sempre era retomado em seguida.

São esses imigrantes, que ajudaram construir traços marcantes da cultura paulista, os personagens dessa reportagem.

 

Raízes no Brasil 

Nosso primeiro personagem é Onirishi Senjo, filho de imigrantes japoneses cresceu em Rio Claro, interior de São Paulo, “Minha infância foi muito boa e tranqüila. Meu pai nos deu ensinamentos de vida muito rígidos, que tentei passar para todos os meus filhos. Na época nós ajudávamos nas colheitas e trabalhávamos muito, mas mesmo assim meu pai sempre fez questão do estudo”, afirma.

Através do estudo Onirishi conseguiu construir sua vida em São Paulo, “Vim para São Paulo para terminar meus estudos. Através do exemplo do meu pai fui à luta, estudei muito, morei em uma casinha de quarto e banheiro no inicio, mas consegui me graduar e garantir meu futuro”. Onirishi se formou em Geografia, sendo um professor apaixonado desde então, “Meu maior orgulho é ensinar as pessoas… essa é a minha paixão!” Exclama.

Casado há 42 anos, Onirishi é pai de 2 filhos, que lhe deram 3 netos, “Meus filhos e netos são meu tesouro, tento passar para eles o mesmo que meu pai passou para mim”. Neste momento os olhos do experiente professor de geografia ficam marejados. Ele fala dos filhos com o mesmo amor e respeito que reserva ao seu pai.

 

orinishi.jpg

 

 

Brasileira de Coração 

Os pais de Karen Mineo são Brasileiros, conheceram-se aqui, trabalharam e construíram sua vida na capital paulista. Karen é japonesa, legítima, nascida no Japão, ela mesmo explica, “Meus pais forma trabalhar no Japão por um período, para juntar uma grana…nesse meio tempo eu nasci. Sou japonesa mas meu coração é brasileiro!”.

Não haveria de ser diferente, logo aos dois anos, Karen chegou em São Paulo, “Aprendi a falar português facilmente, pois ainda era criança e aprendi naturalmente”. Mas e o japonês? “Ainda falo bem, entendo tudo e converso normalmente em japonês, sempre estou treinando”.

Karen afirma amar a cidade de São Paulo, “Aqui me sinto bem, adoro essa badalação, esse agito, acho que no Japão ficaria meio deslocada”. Ela é economista, trabalha no banco Itaú e se diz solteira por opção, “Acho que só vou me amarrar mesmo se aparecer alguém que me complete, mas ta difícil”, reclama.

A única coisa que a tira do sério são as pessoas que acham as orientais são todas iguais, “Odeio quando dizem que Japonês, Chinês, Coreano, são todos iguais, cada povo tem sua cultura, seu jeito, seus costumes, acho que nem a aparência é tão parecida assim. Isso é a única coisa que me tira do sério”, conclui.

 

karen-mineo.jpg

Vai e volta  

Roberto Hideoshi nasceu no interior de São Paulo em 1982. Cresceu em solo pátrio, estudou, se formou e decidiu fazer o caminho inverso dos seus avós, ele mesmo relata: “Decidi ir ao Japão para ganhar dinheiro mesmo, essa é a verdade, não tinha outro motivo”. Então, em Junho de 2002, já com quase 20 anos, Roberto embarcou para a terra natal de seus descendentes. Ele conta que, “no começo foi muito difícil, não falava quase nada de japonês, pra me comunicar era duro. Mas logo arrumei emprego em uma lanchonete”.

A vida de um imigrante no Japão é muito dura, segundo ele “morava com um outro brasileiro que tinha ido antes para lá, nossa vida era trabalho, trabalho e trabalho, quase não tinha lazer ou coisa do tipo”. Ele relata ainda que “guardava toda a grana que ganhava, só gastava o básico do básico, pra juntar logo e voltar para o Brasil”.

A tão esperada volte se deu em 2006, “Já tinha conseguido juntar a grana que eu queria, não tinha mais motivo para ficar lá”. Roberto então desembarcou novamente no Brasil, para tocar um negócio próprio.

Com o dinheiro conseguido no Brasil abriu uma lan-house em Santo Amaro, “O negócio ta indo bem, não posso reclamar, é difícil como qualquer outro trabalho”. Se engana quem pensa que a experiência anterior impediria uma volta ao Japão, “Se precisar voltar ao Japão pra me reerguer de novo, eu volto sem problemas, volto nem que seja para colher graveto no campo”.


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