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O veterano dos envelopes
Novembro 11, 2007, 10:42 pm
Filed under: Curiosidades

Com 37 anos de batente, Valdeci Manoel de Lima
é o carteiro mais antigo da cidade

Quando ele nasceu, em 1946, um dos sucessos das rádios no país era a música Mensagem, na voz de Isaurinha Garcia (“Quando o carteiro chegou e o meu nome gritou, com uma carta na mão…”). E não é que, 61 anos depois, entregar correspondências é exatamente o seu ganha-pão? Falamos de Valdeci Manoel de Lima, o mais antigo carteiro de São Paulo, na ativa desde 1970. Natural de Água Branca, no interior de Alagoas, tomou aos 17 anos uma decisão comum a muitos nordestinos: tentar a sorte na capital paulista. A julgar por sua popularidade no centro da cidade, parece que deu certo. A região onde dá expediente há 37 anos engloba a Rua Aurora e a Praça Júlio Mesquita, no centro. Circular por ali ao seu lado, às vezes, parece aula de história. “Aqui tinha muito comércio”, diz. “Essas casas de espetáculo, antigamente, eram cinemas”, conta, num eufemismo sobre os bordéis que proliferaram naquele pedaço.A rotina de Tio Val, apelido dado pelos companheiros de profissão mais jovens, começa às 7h30, no Imirim, bairro da Zona Norte onde vive com a mulher, Fernanda, e o filho, Rodrigo. Encara cerca de cinqüenta minutos num ônibus para bater cartão às 9 horas, no Centro de Distribuição Domiciliária (CDD) de Santa Cecília. Veste o uniforme e, ao lado de outros 53 carteiros, separa centenas de envelopes, pacotes e afins, processo que leva em média três horas. Almoça (um PF de, no máximo, 10 reais com arroz, feijão e mistura ou, às quartas, feijoada) e parte para as entregas. Caminha numa boa pelo menos 2,5 quilômetros diariamente. “Hoje uso tênis. Difícil era quando calçava sapatos de couro.” Terminado o circuito, retorna à base com avisos de recebimento assinados e cartas rejeitadas, que serão devolvidas aos remetentes antes do fim do expediente, às 18 horas. Entre os colegas, Lima é conhecido pelo jeito boa-praça, pela boa memória – sabe de cor todos os CEPs da região – e por ser caxias. “Ele só faltou uma vez”, conta Katia Figueiredo, gerente do CDD. Mesmo assim, a ausência deveu-se a um treinamento da própria empresa. Tanta dedicação lhe rendeu convites para serviços internos nos Correios, postos de salário quase igual, porém menos exaustivos. Recusou. “Enquanto deixarem, continuo na rua.”

Fonte: Veja São Paulo. 

Yani Cristóvão.


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